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Postado por Paróquia Cristo Rei   
Sex, 03 de Novembro de 2017 00:00

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HOMILIA TEMPO COMUM

 

DIA 17 DE JUNHO - 11º Domingo Tempo Comum Evangelho - Mc 4,26-34

Naquele tempo: Jesus disse à multidão: 'O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou'. E Jesus continuou: 'Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra'. Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. Palavra da Salvação.

 

Reflexão.

Mais uma vez Jesus nos fala do Reino de Deus e para ajudar o povo ele usa o gênero literário comum no seu tempo: as parábolas.

Jesus contava muitas parábolas. Tudo tirado da vida do povo! Assim, ele ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no quotidiano. Tornava o quotidiano transparente. Pois o extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. O povo entendia sobre a vida. Nas parábolas recebia a chave para abri-la e encontrar dentro dela os sinais de Deus.

Hoje nos deparamos com duas pequenas parábolas. Em 2015 refletimos sobre a primeira (Mc 4,26-29) que trata da história da semente que cresce sozinha. Explicamos que o agricultor que planta conhece o processo: semente, folha, espiga, grão. Ele não mete a foice antes do tempo. Sabe esperar. Mas não sabe como a terra, a chuva, o sol e a semente têm esta força de fazer crescer uma planta do nada até a fruta. Assim é o Reino de Deus. Tem processo, tem etapas e prazos, tem crescimento. Vai acontecendo. Produz fruto no tempo marcado. Mas ninguém sabe explicar a sua força misteriosa. Ninguém é dono. Só Deus!

Hoje vamos conversar sobre a segunda parábola que trata da estória da pequena semente de mostarda que cresce e se torna grande (Mc 4,30-32): A semente de mostarda é pequena, tem um diâmetro aproximado de 1,6 milímetros, mas ela cresce, chega, enquanto planta, a medir 4 metros e os passarinhos vêm para fazer seu ninho nos ramos. Assim é o Reino. Começa bem pequeno, cresce e estende seus ramos para os passarinhos fazerem seus ninhos. Começou com Jesus e uns poucos discípulos e discípulas. Foi perseguido e caluniado, preso e crucificado. Mas cresceu e foi estendendo seus ramos.

A parábola deixa uma pergunta no ar que vai ter resposta mais adiante no evangelho: Quem são os passarinhos? O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar na comunidade e ter parte no Reino.

 

DIA 24 DE JUNHO - 12º DOM. Natividade de São João Batista - Lc 1,57-66

Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel, e alegraram-se com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: 'Não! Ele vai chamar-se João. ' Os outros disseram: 'Não existe nenhum parente teu com esse nome!' Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: 'João é o seu nome.' No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judéia. E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: 'O que virá a ser este menino?' De fato, a mão do Senhor estava com ele.

Palavra da Salvação.

 

Reflexão

Além da Virgem Maria Mãe de Deus, Nossa Senhora, de nenhum outro santo a Igreja celebra o nascimento, a não ser o de São João, chamado Batista, Batizador. Dele, Jesus fez o maior elogio jamais feito pelo Salvador a alguém: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior que João, o Batista” (Mt 11,11). Por isso, caríssimos, a solenidade de hoje!

Que lições, que exemplos poderíamos colher nesta Festa, refletindo sobre a pessoa de João Batista?

Ainda que a nossa vida seja fruto do amor do Senhor, isso não significa facilidades. João deveria preparar o caminho do Messias, do Cristo de Deus. E isto iria custar-lhe: “Eu disse: ‘Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa’” (Is 49,4). O grande desafio da nossa vida de crentes é viver na presença de Deus, é ser fiel à sua santa vontade e à missão que ele nos confiou. Ser fiel à missão custou a João: a dureza do deserto, as incompreensões dos inimigos, a trama de Herodíades, a dificuldade de perceber a vontade Deus (basta recordar João perguntando a Jesus: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,3) e, finalmente, o aparente abandono, o aparente absurdo do silêncio de Deus, na solidão e na morte naquele cárcere. O que manteve João fiel até o fim? A confiança no Senhor, a capacidade de deixar-se guiar por Deus, sem querer ele mesmo controlar sua vida. Que exemplo para nós, tanta vez tentados a fazer da vida o que bem queremos, como se nascêssemos de nós mesmos e vivêssemos para nós mesmos! “Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor!” (Rm 14,8).

João Batista sendo humilde, foi o maior dos nascidos de mulher; sendo totalmente preso à sua missão de modo fiel e constante, foi livre de verdade; sendo todo esquecido de si e lembrado de Deus, foi maduro e feliz! Por isso mesmo, seu nome foi verdadeiro e traduziu perfeitamente seu ser e sua missão: João, Iohanah: Deus dá a graça. E a graça que, para seus pais, foi o nascimento de João, na verdade era outra graça: a graça que Deus dá, que é Jesus, o Messias; graça que João anunciou com seu nascimento, com sua vida, com sua pregação e com sua morte!

E você, que graça anuncia como cristão?

Que graça você traz nascida em seu coração no antes do encontro pressoal com Jesus na Santa Missa?

 

DIA 01 DE JULHO - 13º DOM. SÃO PEDRO E SÃO PAULO - Mt 16, 13-19

Naquele tempo: Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" Eles responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas". Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra  será desligado nos céus". Palavra da Salvação.

 

REFLEXÃO

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”.

Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é, líderes, chefes, colunas. E eles o são.

Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Suas pregações plantaram a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do grupo dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez ser apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e crucificado em Roma, sob o Imperador Nero. Dois pilares com suas categorias distintas, um humilde, homem do fazer, outro mais nobre, homem do pensar. Deus vem para todos e quer a Unidade na Diversidade.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho… Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como, também, Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar…”

Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas as honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unindo a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

 

DAI 08 DE JULHO - 14º DOM. - Mc 6,1-6

Naquele tempo: Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: 'De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?' E ficaram escandalizados por causa dele.  Jesus lhes dizia: 'Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares'. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. Palavra da Salvação.

Reflexão

O Evangelho deste Domingo apresenta-nos Jesus na sua cidade de Nazaré. Ali mesmo, no seu lugar, onde nascera e fora criado, os seus o rejeitam: “Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco? E ficaram escandalizados por causa dele”. Assim, cumpre-se mais uma vez a Escritura: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1,11). E a falta de fé foi tão grande, a dureza de coração, tão intensa, a teimosia, tão pertinaz, que Marcos afirma, de modo surpreendente: “Ali não pôde fazer milagre algum!”, tão grande era a falta de fé daquele povo.

Pensemos bem na advertência que esta Palavra de Deus nos faz! O próprio Filho do Pai, em pessoa, esteve no meio do seu povo, conviveu com ele, falou-lhe, sorriu-lhe, abraçou-lhe e, no entanto, não foi reconhecido pelos seus. E por quê? Pela dureza de coração, pela insistência teimosa em esperar um messias de encomenda, sob medida, a seu bel prazer. Valia bem para Israel a censura da primeira leitura de hoje, na qual o Senhor Deus se dirige a seu servo: “Filho do homem, eu te envio aos israelitas, nação de rebeldes, que se afastaram de mim. A estes filhos de cabeça dura e coração de pedra, voou-te enviar, e tu lhes dirás: ‘Assim fala o Senhor Deus’. Quer escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta!” Houve entre os israelitas um profeta, e mais que um profeta: o Filho de Deus, o Eterno, o Filho amado… E Israel o rejeitou!

Mas, deixemos Israel. E nós? Acolhemos o Senhor que nos vem? Ele pode ter tantos rostos diferentes do que esperamos e idealizamos...

Escutamos com fé sua Palavra, quando ele se dirige a nós na Escritura?

Acolhemo-lo na obediência da fé, quando ele se nos dirige pela sua Igreja, ensinando-nos o caminho da vida?

Acolhemo-lo, quando nos fala pela boca de seus profetas?

Não tenhamos tanta certeza de que somos melhores que aqueles de Nazaré! Aliás, é bom que nos perguntemos: por que os nazarenos não foram capazes de reconhecer Jesus como Messias? Já lhes disse: porque o Senhor não era um messias do jeito que eles esperavam: um simples fazedor de milagres, um resolvedor de problemas. Jesus, pobre, manso, humilde, era também exigente e pedia do povo a conversão de coração. Mas, há também outra razão para os nazarenos rejeitarem Jesus: eles foram incapazes de ver além das aparências. De fato, enxergaram em Jesus somente o filho de José, aquele que correra e brincara nas suas praças, aquele ao qual eles haviam visto crescer. Assim, sem conseguir olhar com mais profundidade, empacaram na descrença.

Mas, e nós, conseguimos olhar com profundidade?

Somos sábios o bastante para ouvir na voz da Igreja a voz de Cristo?

Somos sábios o bastante para ler na história de hoje o que Deus está nos pedindo?

É exatamente pela tendência nossa de sermos surdos ao Senhor, que Jesus tanto sofreu e que Paulo se queixava das dificuldades do seu ministério. O Apóstolo fala de um anjo de Satanás que o esbofeteava. Que anjo era esse? Ele mesmo explica: suas “fraquezas, injúrias, necessidades, perseguições e angústias sofridas por amor de Cristo”. O drama de Paulo é uma forte exortação aos pregadores do Evangelho e a todos os cristãos. Aos pregadores do Evangelho essa palavra do Apóstolo recorda que o anúncio será sempre numa situação de pobreza humana, de apertos e contradições. A evangelização, caríssimos, não é um trabalho de marketing televisivo como vemos algumas vezes nos “missionários” dos meios de comunicação. O Evangelho do Cristo crucificado e ressuscitado é proclamado não somente pela palavra do pregador, mas também pela carne de sua vida. O pregador que separa a pregação do seu modo de viver tornar-se-ia um falso profeta, transformar-se em marqueteiro do Evangelho, portanto, inútil e estéril. É toda a vida do pregador que deve ser envolvida na pregação: seu modo de viver, de agir, de vestir, de relacionar-se com os bens materiais, sua vida afetiva, seu modo de divertir-se, seu tipo de amizade. Tudo nele deve ser comprometido com o Senhor e para o Senhor!

Mas, essa palavra de São Paulo na liturgia de hoje vale também para cada cristão. Hoje, somos minoria. O mundo não-crente, secularizado zomba de nós e já não crê no anúncio de Cristo que lhe fazemos. Sentimos isso na pela! Pois bem, quando experimentarmos a frieza e a dura rejeição, quando em casa, no trabalho, nos círculos de amizades, formos ignorados ou ridicularizados por sermos de Cristo, recordemos do Evangelho de hoje, recordemo-nos dos sofrimentos dos apóstolos e retomemos a esperança: o caminho de Cristo é também o nosso; se sofrermos com ele, com ele reinaremos; se morrermos com ele, com ele viveremos (cf. 2Tm 2,11-12) Não tenhamos medo: nós somos as testemunhas, os profetas, os sinais de luz que Deus envia ao mundo de hoje! Sejamos fiéis: o Senhor está conosco, hoje e sempre.

 

DIA 15 DE JULHO - 15º Dom. Tempo comum - Mc 6,7-13

Naquele tempo: Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. E Jesus disse ainda: 'Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!' Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo. Palavra da Salvação.

REFLEXÃO

Hoje, a santa Palavra que Deus nos dirige e nos fala de duas realidades: nossa missão de profetas e a mensagem que devemos comunicar.

Vamos refletir sobre o nosso ser profeta.

Escutamos na primeira leitura como Amós não poderia se calar. Ele mesmo reconhece: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros (tem frutos semelhantes aos da figueira). O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo!’” Amós não era profeta profissional nem era de uma família tradicional de profetas. E, no entanto, o Senhor o tirou de trás do rebanho, tirou-o da sua vida, e o mandou falar em seu nome ao povo de Israel.

No evangelho, vimos Jesus chamando os Doze e os mandando em missão: sem levar nada, confiando somente em Deus, correndo o risco de serem incompreendidos e rejeitados, eles deveriam ir, anunciando o Reino de Deus, que exige mudança de vida, conversão de pensamento, atitudes e modo de agir…

Caríssimos, ainda hoje é assim; entre nós é assim! Deus continua falando, Deus continua escolhendo profetas, Deus continua dirigindo seu chamado ao mundo e a cada pessoa. Se escutarmos com atitude de fé a Palavra santa, se na oração nos abrirmos aos seus apelos, se estivermos atentos ao que ele nos fala ao nosso coração, descobriremos que o Senhor também nos envia! Isso mesmo: todo cristão, pelo Batismo e a Crisma, participa da missão do Cristo Jesus, a missão de anunciar o Reino de Deus, revelando a face do Pai, que Jesus nos veio mostrar! É verdade que, na Igreja, há aqueles chamados para o ministério ordenado: Bispos, padres e diáconos que, em nome de Cristo, apascentam o rebanho e anunciam o Evangelho. Eles são os primeiros responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus. Mas, todo o povo de Deus, todos os batizados e crismados, quer sejam do clero, junto comos que compõem o que chama o Lacaito, cada um de nós, tem a missão de falar em nome do Senhor e, em nome de Cristo, levar a luz nas trevas, a paz nas tensões e angústias, a esperança no desespero, a vida nova nas situações de morte. Somos, todos, um povo de profetas, caríssimos e, se nos calarmos, se nos omitirmos, seremos culpados de escondermos e sufocarmos a Palavra do Senhor de que o mundo tanto necessita!

Aqui cabe um urgente exame de consciência. Quantas oportunidades temos de falar de Cristo, de anunciar a vontade e o plano de Deus, de dar testemunho do seu amor e da sua presença, mas nos calamos, nos omitimos, como se Cristo não fosse uma questão nossa! Quantas vezes somos cristãos cansados, cristãos omissos, cristãos comodistas! Os pais aqui presentes têm anunciado Jesus a seus filhos, têm sido seus primeiros evangelizadores e catequistas? Têm rezado com eles? Têm procurado lavá-los à Igreja? Marido e mulher têm sido um para o outro um sinal de Deus, uma palavra e uma presença de Cristo? Fazem do Lar uma Igreja Doméstica onde reina o Amor? Têm procurado construir o lar como um sinal do Reino dos Céus? E os jovens cristãos, têm sido sinal de Nosso Senhor no mundo em que vivem? Têm feito e vivido as várias experiências da vida como discípulos de Cristo? Eis, meus caros irmãos! Não esqueçamos que nós somos os profetas, nós somos os enviados do Senhor! É esta a primeira lição que hoje a Palavra de Deus nos dá. No trabalho, no amor, no descanso, no estudo, nas relações sociais somos as testemunhas do Senhor nosso! Um dia, certamente seremos cobrados por isso; o Senhor nos pedirá contas!

 

DIA 22 DE JULHO - 16º Dom. Tempo Comum - Mc 6,30-34

Naquele tempo: Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: 'Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco'. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. Palavra da Salvação.

 

Reflexão

Tudo quanto a Igreja tem para dizer ao mundo é Jesus: ele é a Palavra viva do Pai, ele é o Salvador e a Salvação, é de Jesus que a Palavra santa hoje nos fala – de Jesus Bom Pastor!

Em Israel, pastores do povo eram seus dirigentes: reis, aristocracia, sacerdotes, escribas, profetas. Infelizmente, de modo frequente, esses eram pastores maus e infiéis, pois não faziam o que era de se esperar de quem apascenta: não amavam o rebanho, dele não cuidavam, com ele não se preocupavam. Faziam como a maioria dos políticos brasileiros de agora, esses mesmos que irão mostrar a cara lisa no programa eleitoral gratuito, enganando, mentindo e fazendo-se passar por bons, sem, no entanto, terem outra preocupação que o próprio bem-estar, Poder e prestígio pessoal. Dos maus pastores, Santo Agostinho dizia que procuram somente o leite e a lã das ovelhas, sem com elas se preocuparem. O leite simboliza os bens materiais; a lã, o prestígio e os aplausos. Pobres ovelhas, o povo brasileiro, que mais uma vez serão assaltadas por cruéis ataques de pastores maus: corruptos, mensaleiros, sanguessugas e gatunos de todos os níveis e especialidades. Que Deus ajude esse povo a discernir políticos de politiqueiros e os poucos preocupados com o bem comum, dos muitos ocupados com o próprio bem!

Ante os maus pastores de Israel, que infestaram todo o tempo do Antigo Testamento, o Senhor prometeu, vindo da Casa de Davi (aqui Casa significa Linhagem, Descendência), um novo pastor: “Eis que virão dias em que farei nascer um descendente de Davi; reinará e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra”. Aqui Deus fala do Messias. Um messias, presença do próprio Deus, Pastor do seu povo, cuidador do seu rebanho… É precisamente assim que o evangelho de hoje nos apresenta Jesus: “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. Que imagem sublime! Jesus cansado, pensando em algo tão humano, tão legítimo: um dia de descanso em companhia dos Doze. E quando chega ao local escolhido para o merecido repouso, lá estava a multidão cansada e acabrunhada, sedenta de luz, sedenta de vida, sedenta de verdes pastagens, desorientada, como ovelhas sem pastor… E Jesus, o Bom Pastor, esquece de si mesmo, deixa de lado seu cansaço e, cheio de compaixão, vai cuidar das ovelhas. Por isso mesmo, ele é o Pastor por excelência, o Belo, Perfeito, o modelo para nós, mesmo sem podermos alcançar tamanha perfeição, Pleno Pastor! Ele ama o rebanho, preocupa-se com ele, dele se compadece e por ele vai dando, derramando, diariamente, a própria vida. Nunca se viu Jesus poupar-se, nunca se testemunhou Jesus fazendo um milagre em benefício próprio, nunca se apanhou o Senhor buscando algum favor para si. Não! Toda a sua vida foi vida vivida para o rebanho por amor ao Pai, vida dada, vida doada, entregue de modo total… até a morte e morte de cruz.

Caríssimos, para todos nós o exemplo de Cristo é motivo de questionamento e chamado à conversão. Padres e bispos que não apascentam em Cristo, que não vivem a vida de Cristo na carne de sua vida, não são pastores de fato; são maus pastores, ladrões e salteadores, como aqueles do Antigo Testamento. Da mesma forma, pessoas engajadas nas comunidades e paróquia que só querem a fama, a vaidade, e por isso fazem-se voluntários somente para aparecer diante do outros, ou mesmo que seja por um desafio pessoal, mas sem o empenho e o cuidado pastoral necessários, são exemplos vazios e contra-testemunhos, pedra de escândalo! E para os leigos (vocês), ovelhas do Senhor, que apelos o Bom Pastor hoje vos faz? Ele que se deu todo a vós como pastor, vos convida a que vos entregueis totalmente a Ele como ovelhas. Como a ovelha do Salmo da Missa de hoje, que confia totalmente no seu pastor, ainda mesmo que passe pelo vale tenebroso, porque sabe que o pastor é fiel, que o pastor haverá de defendê-la, assim também nós, ovelhas do seu pasto, confiemo-nos ao Senhor, sigamo-lo, nele coloquemos a nossa existência. E que ele, cheio de amor e misericórdia, nos conduza às campinas verdejantes, nos faça descansar, restaure nossas forças, guie-nos no caminho mais seguro, nos prepare a mesa eucarística, nos dê a unção com o suave óleo do seu Espírito, faça transbordar a taça da nossa exultação e nos dê habitação na sua casa pelos tempos infinitos.

 

­­DIA 29 DE JULHO - 17º DOMINGO Tempo Comum - Jo 6,1-15

Naquele tempo: Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia,  porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: 'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?' Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: 'Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um'. Um dos discípulos,  André, o irmão de Simão Pedro, disse: 'Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?' Jesus disse: 'Fazei sentar as pessoas'. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: 'Recolhei os pedaços que sobraram,  para que nada se perca!' Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: 'Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo'. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. Palavra da Salvação.

REFLEXÃO

A partir deste domingo, a liturgia interrompe a leitura do Evangelho de São Marcos e intercala um longo trecho do Evangelho de São João, que contém a narrativa da multiplicação dos pães e o discurso eucarístico de Jesus na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6).   Durante quatro domingos teremos a oportunidade de desenvolver uma catequese sistemática sobre a Eucaristia.

O Evangelho deste domingo nos levará a compreender que na Eucaristia há uma continuidade e uma harmonia admirável entre a realidade material e a graça espiritual.  Jamais entenderá este sacramento quem nunca teve experiência do alimento humano, da fome e da nutrição, do repartir o pão e do comer juntos.

O texto que nos é proposto como primeira leitura (cf. 2Rs 4,42-44) conta que um homem de Baal trouxe a Eliseu o “pão das primícias”: vinte pães de cevada e trigo novo. De acordo com Lv 23,20, o pão das primícias devia ser apresentado diante do Senhor e a Ele consagrado para depois ser revertido em benefício do sacerdote. Ao ser entregue a Eliseu, ele, no entanto, sem nenhum egoísmo, não conservou os dons para si, mas mandou reparti-los.  O “servo” do profeta não acreditava que os alimentos oferecidos chegassem para cem pessoas; no entanto, ainda sobraram. A descrição de uma milagrosa multiplicação de pães de cevada e de grãos de trigo sugere que, quando o homem é capaz de partilhar os dons recebidos de Deus, esses dons chegam para todos e ainda sobram. A Economia Humana nos ensina que há escassez, nos ensina a guardar, economizar, reter. Na Economia da Salvação é justamente o contrário, nos fala da infinitude, da plenitude, é preciso distribuir, partilhar. E quem partilha a sua escassez material santifica o seu trabalho e as suas posses.

No Evangelho o mesmo tema se repete. Jesus percebe a “fome” da multidão que O segue e propõe saciá-la. Aos discípulos, Jesus os convida a assumirem o dom da partilha, concretizada na distribuição do pão. A multidão que segue Jesus tem fome e não tem o que comer (vv. 5-6). A referência nos leva ao Livro do Êxodo, quando, no deserto, o Povo que caminhava para a terra prometida sentiu fome (cf. Ex 16,4ss). Então, Deus respondeu à necessidade do Povo e lhe deu comida em abundância.

Ao procurar uma solução para saciar a fome dos que ouviam a sua Palavra, Jesus envolve os seus próprios discípulos e ouve a pergunta: “Onde haveremos de comprar pão para lhes dar de comer?” (v. 5).  O Evangelista São João nota que Jesus põe a questão aos discípulos, representados por Filipe, para os “experimentar” (v. 6).  Filipe constata a impossibilidade de resolver o problema, dentro do quadro econômico vigente: “Duzentos denários não bastariam para dar um pedaço a cada um” (v. 7).  O denário era uma moeda de prata da época romana e tinha o valor de uma dracma, o salário diário de um trabalhador no tempo de Jesus (cf. Mt 20,2.9.13). André, porém, apresenta uma solução diferente: “Há aqui um menino, que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos” (v. 9). No entanto, o próprio Apóstolo André não está muito convicto dos resultados, quando completa: “Mas o que é isso para tantas pessoas?”.  A figura do “menino”, anônimo, é significativa: quer pela idade, quer pela condição, pois trata-se de alguém ainda frágil em sua estrutura física e também social. A palavra grega utilizada por João para falar da criança indica simultaneamente um “menino” e um “servo”: a comunidade, representada nesse “menino”, apresenta-se diante do mundo como um grupo socialmente humilde que traz o seu pouco e entregando a Jesus vê se multiplicar na partilha.

Na cena, a atitude do menino tem uma especial relevância. Diante da dificuldade de alimentar tantas pessoas, põe ele em comum o pouco de que dispõe: cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6, 8). O milagre não se realiza a partir do nada, mas de uma primeira partilha modesta daquilo que um simples menino (servo) possuía. Jesus não nos pede aquilo de que não dispomos, mas faz-nos ver que se cada um oferecer o pouco que tiver, pode realizar sempre de novo o milagre: Deus é capaz de multiplicar o nosso pequeno gesto de amor e tornar-nos partícipes do seu dom.

 

DIA 05 DE AGOSTO - 18º Dom. Tempo Comum - Jo 6,24-35

Naquele tempo: Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: 'Rabi, quando chegaste aqui?' Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade, eu vos digo:

estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'. Então perguntaram: 'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?' Jesus respondeu: 'A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou'. Eles perguntaram: 'Que sinal realizas,  para que possamos ver e crer em ti?' Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer'. Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo'. Então pediram: 'Senhor, dá-nos sempre desse pão'. Jesus lhes disse: 'Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. Palavra da Salvação.

REFLEXÃO

As leituras deste domingo repetem, no essencial, a mensagem das leituras do último domingo.  Mais uma vez sentimos a preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá a vida.

A primeira leitura já nos mostra que Deus acompanha o seu povo rumo à terra prometida, concedendo a esse povo o alimento necessário à vida.  No Evangelho, Jesus se apresenta como o “pão” que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão”, isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham e as coloquem em prática.

O episódio que o Evangelho nos apresenta ocorre na cidade de Cafarnaum, no “dia seguinte” ao relato da multiplicação dos pães e dos peixes. A multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes, ainda estava do “outro lado” do lago e ao notar que Jesus tinha regressado a Cafarnaum, dirigiu-se ao seu encontro.

A multidão encontra Jesus na sinagoga. Na oportunidade Jesus lhe dirige um discurso onde explica o sentido do gesto precedente que havia realizado: a multiplicação dos pães e dos peixes. Jesus ensina que é preciso esforçar-se por conseguir, não só o alimento que mata a fome física, mas sobretudo o alimento que sacia a fome de vida. Ao preocupar-se apenas com o alimento material, esquecem o essencial: o alimento que dá a vida definitiva. Esse alimento que dá a vida eterna é o próprio Jesus que o traz (v. 27).

O caminho que percorremos nesta terra é sempre um caminho marcado pela procura da nossa realização, da nossa felicidade. Temos fome de vida, de amor, de paz, de esperança, de transcendência e procuramos, de muitos modos, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, tropeçando nos nossos erros, em tentativas falhas de realização, em propostas que parecem sedutoras, mas que só geram escravidão e dependência.

Precisamos ter consciência de que só em Cristo Jesus podemos encontrar o “pão” que mata a nossa fome de vida. Ele é o “pão” enviado por Deus para dar a vida ao mundo”. É esta a questão central que o Evangelho deste domingo nos propõe. É em Jesus e através de Jesus que Deus sacia a fome e a sede da humanidade e oferece a vida em plenitude a todos.

Para termos acesso a esse “pão” que desce do céu para dar a vida ao mundo precisamos aderir a Jesus e escutar o seu chamamento, acolher a sua Palavra, assumir e interiorizar os seus valores: segui-lo. Trata-se de uma adesão que deve traduzir-se em obras concretas. E o Papa Francisco nos alerta para temos “fome” do Chamado à Santidade. Ele nos ensina que “Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade”.

 

DIA 12 DE AGOSTO - 19º Dom. - Jo 6,41-51

Naquele tempo: Os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: 'Eu sou o pão que desceu do céu'. Eles comentavam: 'Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?' Jesus respondeu:  'Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: `Todos serão discípulos de Deus.' Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo'.  Palavra da Salvação.

 

REFLEXÃO

O evangelho do domingo passado terminava com as palavras de Jesus que apresentava a si mesmo como “o pão descido do céu”, e na explicação esclarecemos que ele é “o pão” enquanto doa ao homem a Palavra, a Sabedoria de Deus, que é a única que pode saciar a fome - e a sede - de felicidade e de amor ao homem. Por isso devemos segui-lo e não esperando que ele atenda as nossas necessidades materiais. O seguimos motivados pelo amor.

O Evangelho de hoje nos fez refletir sobre o convite que Jesus dirige aos que havia saciado: a esforçarem-se em busca de um alimento que permanece para a vida eterna.  Com isto, mostra o significado profundo do prodígio realizado: saciando de modo milagroso a fome física, prepara a multidão que o seguia para aceitar o anúncio segundo o qual Ele é apresentado como o pão que desceu do céu (cf. Jo 6,41), que sacia, de modo definitivo, a fome de todos.

O povo judeu, durante o longo caminho no deserto, rumo à terra prometida, experimentou um pão descido do céu, o maná. Mas aqui Jesus fala de si mesmo, como um verdadeiro pão que desceu do céu, capaz de manter em vida não por um momento ou durante um trecho do caminho, mas para sempre. Ele é o alimento que dá a vida eterna, porque é o Filho unigênito de Deus, que veio ao mundo para doar à humanidade a vida em plenitude e introduzi-la na vida com Deus.

No pensamento judaico era claro que o verdadeiro pão do céu, que alimentava Israel, era a Lei, a palavra de Deus. O povo de Israel reconhecia com clareza que a Torá era o dom fundamental e duradouro de Moisés, o elemento singular que o distinguia em relação aos outros povos e que consistia em conhecer a vontade de Deus e o caminho reto da vida. Jesus, agora, manifestou-se como o pão do céu, pelo qual todos podem fazer da vontade de Deus o seu alimento (cf. Jo 4, 34), que orienta e mantém a sua existência.

Mas o povo de Israel duvidou da divindade de Jesus e não o acolheu como o pão descido do céu para dar vida à humanidade. Diziam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?” (Jo 6,42).

Diante das murmurações Jesus disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Na verdade, só a fé nos possibilita crer em Jesus. O dom da fé é um dom gratuito de Deus; uma virtude sobrenatural. A fé nos leva a crer no que disse Jesus: “Eu sou o pão da vida”.  O sacramento da Eucaristia é a síntese desta verdade, onde Jesus dá-se a si mesmo; entrega o seu corpo e derrama o seu sangue.  Desse modo dá a totalidade da sua própria vida, manifestando a fonte originária desse amor: ele é o Filho eterno que o Pai entregou por nós.

Outrora, o primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: “Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?” (Jo 6, 60). Eucaristia e a cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e não cessa de ser ocasião de divisão. Jesus já havia questionado também aos Apóstolos: “Também vós quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do seu amor a descobrir que só Ele tem “palavras de vida eterna” (Jo 6, 68) e que acolher na fé o dom da Eucaristia é acolher o próprio Cristo. (cf. CIgC, nº 1336).

Receber a Eucaristia na comunhão traz consigo, como fruto principal, a união íntima com Cristo Jesus. De fato, Ele mesmo disse: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). A vida em Cristo tem o seu fundamento no banquete eucarístico: “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, também o que me come viverá por mim” (Jo 6,57). Como nos lembra o Papa Francisco, no documento que fala do Chamado à Santidade, “O encontro com Jesus nas Escrituras conduz-nos à Eucaristia, onde essa mesma Palavra atinge a sua máxima eficácia, porque é presença real d’Aquele que é a Palavra viva. E, quando O recebemos na Comunhão, renovamos a nossa aliança com Ele e consentimos-Lhe que realize cada vez mais a sua obra transformadora.”

 

Última atualização em Seg, 11 de Junho de 2018 13:38